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O Lugar às Ideias, por Isabel Prelhaz

A BIBLIOTECA… À DESCOBERTA DE CAMÕES

Por Isabel Prelhaz*

“Que o de que vive o mundo são mudanças”

O olhar sobre a biblioteca escolar alterou-se desde o ano 2000, quando Unesco elaborou o Manifesto das Bibliotecas Escolares, definindo os seus principais objetivos que ainda hoje estão por cumprir, em muitas escolas. Estabeleceu um plano de transformação do serviço das bibliotecas que com  inovação e empenho se pode realizar, a modernização da Biblioteca, com a integração de tecnologias digitais.
O Manifesto das Bibliotecas Escolares constitui um compromisso para qualquer bibliotecário, implica a concretização de mudança, um desafio comparável a lançar-se num inesperado voo livre ou olhar por uma janela de onde se pode observar o mundo. Assim perspetiva a biblioteca escolar  como ambiente de aprendizagem aberto, dinâmico, e interativo que tenha a capacidade de envolver crianças e jovens numa ação formadora  enquanto utilizadores, leitores e produtores de informação. Configura-se como espaço de leitura, e para a leitura, na sua promoção constante e atualizada e desenvolvimento das competências das literacias. 
Essa missão não é fácil de dinamizar na escola, exige motivação, empenho, diversificação de atividades e conjugação de múltiplos aspetos para tornar os jovens e crianças enquanto atores sociais autónomos para além do seu papel de alunos. Deve enriquecer as vivências dos jovens e crianças construindo pontes com o mundo exterior, propiciar o pensamento crítico e alargar a capacidade de escolha.
Refere-se no Manifesto que deve “desenvolver e manter nas crianças o hábito e o prazer da leitura e da aprendizagem, bem como o uso dos recursos da biblioteca ao longo da vida”.
A leitura tem sido o tema de múltiplas discussões em torno da formação dos cidadãos, do desenvolvimento socio emocional das crianças e da sua função primacial na aprendizagem. Acresce que a leitura cria possibilidades de ser e estar na construção de sentido partilhado,   constitui o diálogo  e o confronto com o outro, capaz de nos desafiar, de reconstruir a nossa  realidade. O leitor deverá ser capaz de transformar o visto, o ouvido e o sentido em algo significativo para si. Ler é bem mais do que interpretar palavras, é entender o autor, o seu contexto socio histórico e a capacidade de refletir sobre o lido.
A  dinamização da nossa biblioteca Escolar como espaço onde os alunos se sentem leitores apoiados, tem sido intencionalmente melhorada em diversas áreas, como a criação de um ambiente agradável, decoração adequada que convida os alunos a estar mais tempo e apele à leitura ; a atualização do acervo variado  que responda aos interesses e idades dos alunos;  o trabalho conjunto com as educadoras e docentes para a valorização da leitura nos planos curriculares e projetos  de articulação e a divulgação de obras que incentivem o gosto por ler de acesso fácil e de géneros diferentes.
Este ano letivo lançámos desafios mensais de leitura e escrita, em vários níveis de ensino  que foram muito participados e geraram entusiasmo. Entre eles destaco a comemoração do cinquentenário de Camões que foi desenvolvida com diversas atividades, apostou na criatividade, apelou à imaginação e teve uma adesão muito boa da generalidade dos alunos que utilizaram a Biblioteca. As ilustrações e textos que foram elaborados e expostos no espaço, surgiram de forma espontânea, em momentos livres dos alunos que eram desafiados a participar na comemoração. Deste modo estabeleceu-se a relação entre o que se fazia na Biblioteca e a sala de aula e proporcionou-se um maior conhecimento sobre Camões. A Biblioteca integrou a dimensão simbólica e estética para difundir o prazer da leitura, a partir do objeto livro promoveu a escrita criativa e incentivou a expressão artística. Todas resultaram num fim que foi amplamente admirado pela comunidade escolar e que deverá continuar a explorar-se, como escreveu Camões: “Quem quis, sempre pôde”.
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* Professora Bibliotecária